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onthewrittenroad

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28
Mar21

150 km depois

Joana C. C. Messias

Este é o relato de uma das minhas viagens, não de uma qualquer, mas da mais despreocupada de todas.

A começar pela preparação:

  • pegar num mapa, ver a distância a percorrer e o tempo do qual dispunha. Calculei que em cada dia conseguiria fazer, em média, 20km;
  • pegar num guia sobre o Caminho  (atenção que há dois anos guias práticos eram poucos!) e ver as diferentes etapas, para decidir o ponto de partida;
  • procurar os albergues de peregrinos e ter uma ideia sobre as suas localizações;
  • pegar numa mochila e colocar o mínimo e indispensável, duas (ou três) mudas de roupa, botas de caminhada e saco-cama (extremamente importante! Descobri só quando cheguei a Ponte de Lima.)
  • comprar um bilhete de comboio para o Porto, levantar a minha credencial de peregrino, junto à Sé do Porto e seguir viagem!

Munida de tudo o que era necessário, a minha chegada a Ponte de Lima foi interessante: ao final da tarde, atravessei a ponte e instalei-me no Albergue para peregrinos. Jantei na casa imediatamente à frente e ali encontrei o meu primeiro companheiro do Caminho (ainda não o sabíamos), um alemão  - o Roman, que se disponibilizou a traduzir a ementa que se encontrava em português 

                 Ponte de Lima - Rubiães:

Eram sete horas quando se começou a ouvir o restolhar de malas e os outros peregrinos a começarem a sua preparação. Eu calcei as botas e lá comecei esta aventura, com um dia de sol lindo. Ia dali para Rubiães.

As primeiras impressões foram extremamente positivas: a luz da manhã e a temperatura que se anunciava alta, faziam adivinhar um caminho tranquilo. Passei por várias propriedades, com as vinhas, atravessei estradas, cumprimentei bois e cheguei a Rubiães. Fui recebida por um pequena igreja, de S. Pedro de Rubiães, que serviu para me recordar do que  por ali andava a fazer e retornar uns quantos séculos atrás. Localizei o albergue, fiz o check-in, negociei para conseguir fazer o pagamento sem ter que ir até à povoação (depois de 18km, não me apetecia andar mais 4km!). Consegui, comi e fui dormir.

                 Rubiães - Tui:

Novamente, o despertar foi matutino, iniciar o dia cedo é como que estabelecer a energia para o resto do dia. Segui por antigas vias romanas, ouvi pequenas quedas de água e os passarinhos, até chegar a Valença. Percorri o interior da Fortaleza, que me recordou o quão próximo estava da fronteira. Depois de comer num pequeno restaurante, peguei na bagagem e fui em direção à fronteira, atravessei a ponte sobre o rio Minho e cheguei ao meu novo destino: Tui. O albergue está localizado num antigo edifício de pedra, instalei-me e rapidamente fui até ao centro, abastecer-me (comida, sempre importante!) e ver o movimento, na praça central. Encontrei vários peregrinos, nomeadamente o Roman e depois o Mark, ambos alemães, a viajarem sozinhos. Comemos na praça, uma espécie de picnic e fomos descansar.

                 Tui - Redondela:

Este dia foi diferente, o Mark seguiu esta etapa comigo, sabendo que cada um tem o seu ritmo e respeitando-nos. Isto é, o ritmo de cada um é o que dita o sucesso do caminho, sem pressas, sem incómodos, sem obrigações, mas ouvindo-nos e aquilo que as pernas são capazes de concretizar. Assim, ele seguiu mais à frente e eu um pouco mais atrás. Até que, olho para o lado, vejo um cavalo e alguém a fazer festas ao dito bicho - era o Roman. A partir daqui, aceitei que teria companhia para o percurso. E lá seguimos, cada um com as suas reflexões, a desfrutar do caminho, pelo meio da mata, com subidas e descidas, uma etapa dura, ao sol, pela estrada. E aparece Redondela. Os três instalamo-nos no albergue e rapidamente decidimos que iríamos até à praia, não muito longe. Chamamos um táxi, relaxamos na praia e terminamos num restaurante a comer marisco! 

                 Redondela - Pontevedra:

Confesso que deste dia pouco ficou registado na minha memória, mas recordo-me perfeitamente da entrada em Pontevedra. Em grande, um final de tarde, com calor. Desta vez, optei por não ficar no albergue, fui até uma pensão, no centro da cidade. Depois de descansar, segui até à Plaza de la Herreria e desfrutei de umas tapas, com companhia, música e todo aquele ambiente de festa, que se vive em Espanha, ao final de tarde, e que nos envolve e dá vontade de voltar!

                 Pontevedra - Caldas de Reyes:

A entrada em Caldas de Reyes foi interessante. Não sabia o que esperar, uns quantos edifícios abandonados, umas publicidades estranhas, até que atravessei a ponte e me embrenhei pela parte mais antiga. Ali aluguei rapidamente um apartamento, apanhei sol e fui com o Roman até ao restaurante próximo da ponte para mais umas tapas, com música ao vivo. Até cantaram "Cheira bem, cheira a Lisboooaaaa", uma verdadeira festa, regada com vinho, pimentos padrón, queijo e pão! 

                 Caldas de Reyes - Padrón:

Esta penúltima etapa foi mais fechada, habituamo-nos ao ritmo dos dias, ao percurso e a mente fica focada na chegada a Santiago. Foi sobretudo um período de reflexão, daquilo que pretendia mudar, do que me proporia a fazer dali para a frente. Assim, cheguei ao albergue e fui descansar imediatamente, para começar cedo a última etapa, no dia seguinte.

                 Padrón - Santiago:

O dia começou bastante cedo e, deste vez, comecei sozinha. Comi um croissant na tasca do Pepe e segui à beira da estrada até que o caminho passou a ser de terra. Confesso que o início do Camino, a paisagem foi muito mais prazerosa, no entanto a proximidade ao destino final valia tudo. A certo ponto começamos a ver as torres sineiras de Santiago e sabemos que estamos cada vez mais próximos. Após uns quantos enganos, ao entrar em Santiago, a vieira ou a seta amarela manteve-se até ao fim e chega-se à Plaza del Obradoiro e é o sentimento de missão cumprida (e comprida!), que fica espelhado na nossa memória e no sorriso:

 

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28
Mai20

Trás-os-Montes, guiada por Saramago (Parte II)

Joana C. C. Messias

Trás-os-montes céu.jpeg 

Às vezes começa-se por o que está mais longe. 

Embora se aviste Bragança, segue-se até Rio de Onor, passando por Gimonde, Baçal, Aveleda, Varges, pequenas aldeias, que são uma introdução para aquilo que nos espera mais adiante.

Após percorrer alguns quilómetros do Parque Natural de Montesinho, eis que se chega a uma aldeia, que a julgar pelo aspeto, parece parada no tempo. Mas desengane-se quem a visita, se pensa que é por esse motivo que é menos merecedora de atenção.

Eis Rio de Onor. Dobrou-se uma curva, aparece entre as árvores um luzeiro de água, ouve-se um restolhar líquido sobre as fragas, e depois há uma ponte de pedra.

Um grupo de pessoas trabalha em conjunto. Observam-se as casas que estão à beira do rio, e apesar da pedra escura utilizada para as construções, alguns detalhes coloridos, como um baloiço, as flores, dão uma leveza ao local inesperada. Percorre-se a aldeia a pé, atravessa-se a ponte, admirando a fachada da pequena Igreja Matriz, retorna-se por outra ponte mais acima, com muita calma, que é o que o local pede.

Às portas de Bragança, começa a chover. (...) e o viajante tem de refugiar-se no Museu do Abade de Baçal.

Felizmente, nem sinais de chuva.

Ao chegar a Bragança, o percurso faz-se do ponto mais elevado: do castelo, a Igreja de Santa Maria, o Domus Municipalis e o pelourinho. Desce-se, passando pelas portas da vila, chega-se à Igreja de S. Vicente e por trás, então sim, o Museu do Abade de Baçal. Vale a pena a visita pela coleção de escultura e pintura, dispostas de um modo simples e apelativo.

Entre Vinhais e Rebordelo a chuva foi constante. (...) E quando o viajante se aproxima de Chaves já é muito maior o espaço de céu limpo (...) Aliás, bem está que assim seja: a veiga de Chaves não merecia outra coisa.

De Bragança para Vinhais, retoma-se a estrada pelo Parque Natural de Montesinho e são os vales que dominam a paisagem. Vinhais é um óptimo ponto de paragem para se observar a sucessão de relevos, até Chaves. Na parte mais antiga, destaca-se o castelo, com a sua entrada em arco, o pelourinho e o adro da Igreja Matriz, muito próximo a Igreja de S. Facundo de Vinhais.

Não havendo possibilidade de se fazer prova dos enchidos, segue-se caminho até Chaves.

E aqui sim, neste percurso, perdemo-nos. Não literalmente, mas no cenário que se apresenta diante de nós, são vales e serras, com um fundo de céu, que podia ser azul, mas é rosa.

A cidade é maneirinha , quer dizer, pequena na proporção, de bom tamanho para ser bom lugar de viver.

E o que dizer de Chaves? As casinhas arrumadas prolongam-se ao longo da avenida principal, desviando à direita, chega-se ao largo onde está localizada a Igreja de Santa Maria Maior, da Misericórdia, o Museu Aquae Flaviae, a Câmara Municipal e a torre do castelo. Retomando a via principal, chega-se à Ponte de Trajano, com os seus arcos, sobre o rio Tâmega. 

É de facto, uma cidade "maneirinha", que se apresenta organizada e limpa, a que dá vontade de voltar.

Agora é preciso escolher. De Chaves vai-se a todo o lado (...) tanto assim que o viajante se enganou no caminho e meteu pela estrada que segue para Vila Real, por Vila Pouca de Aguiar.

Embora o viajante prossiga por várias outras terras, a direção tomada é para sul, para Vila Real.

Em Vila Real o movimento anuncia que estamos prestes a sair da tranquilidade de Trás-os-Montes. No entanto, vale a pena passear pelas suas ruas e seguir em direção à Avenida Carvalho Araujo. Dali, visitar a antiga Igreja de S. Domingos e admirar a fachada de uma das mais antigas casas, de Diogo Cão. 

Estando em Vila Real impõe-se uma visita: ao belíssimo Palácio Mateus, com os seus jardins e o seu interior riquíssimo, que guarda objetos de outros tempos, pintura, mobiliário, livros.

O primeiro será Mateus, o solar do morgado. Antes de entrar, deve-se passear neste jardim, sem nenhuma pressa. Por muitos e valiosos que sejam os tesouros dentro, soberbos seríamos se desprezássemos os de fora, estas árvores que do espetro solar só descuidaram o azul, deixam-no para uso do céu (...), de repente o viajante cuida ter caído dentro de um caleidoscópio , Viajante no País das Maravilhas.

A viagem prossegue, no sentido do Peso da Régua, mas a paisagem começa já a modificar-se, moldada novamente pelo Douro, avizinhando-se os socalcos que vão conduzir ao Alto Douro. 

O viajante segue, enfim, na direção oposta, enfrentando o Marão e prosseguindo a sua viagem até outras paragens. 

 

 

 

24
Mai20

Trás-os-Montes, guiada por Saramago (Parte I)

Joana C. C. Messias

A propósito da leitura  "Viagem a Portugal", durante este mês de Maio, consegui, finalmente, deixar o meu lar e rumar a terras transmontanas. Foi incrível, por vários motivos: a paisagem, pura e calma, com a natureza de cores terra e flores primaveris, os vales escavados, que deixam entrever algum curso de água, o azul do céu e a frescura da água. Para não falar do património, a vida das vilas e cidades visitadas e da gastronomia. Bom, mas analisemos a viagem descrita, tendo como guia Saramago.

Miranda do Douro - Livro.jpeg

Saramago inicia a sua viagem na fronteira este, entre Portugal e Espanha, em Miranda do Douro.

Vinde cá, peixes, vós da margem direita que estais no rio Douro, e vós da margem esquerda que estais no rio Duero, vinde cá todos e dizei-me que língua é a que falais quando aí em baixo cruzais as aquáticas alfândegas, e se também lá tendes passaportes e carimbos para entrar e sair

Um local onde o Douro deixou a sua marca na paisagem, escavando uma passagem entre arribas abruptas, escuras, conhecido como Parque Natural do Douro Internacional. Ali, Saramago prega o seu Sermão aos Peixes . A propósito da última parte, nem alfândega, nem controlo, a fronteira está ainda encerrada.

Miranda do Douro ergue-se na margem esquerda, com o seu centro histórico impecavelmente limpo, inserido no interior das muralhas. A entrada faz-se pela Porta da Vila, subindo a rua da Costanilha, com as suas casas antigas, algumas com detalhes inesperados. Sobe-se até ao largo, com os antigos solares e numa ruela à direita - passando pela loja da D. Inês "Sabores da Muralha" e parando para provar a bola doce de Miranda - deparamo-nos com o inesperado edificio pertencente à Concatedral de Miranda. No seu interior, a  figura do Menino Jesus da Cartolinha espera pelo visitante.

(...) e antes de se meter ao caminho torna atrás, a Torre de Moncorvo. Não vai deixar desgostos nas suas costas, nem deitaria a vila ao desdém, que o não merece

Segue-se Torre de Moncorvo, ligeiramente a sul - Saramago não seguiu propriamente uma lógica geográfica - , entra-se na vila e passando-se por baixo duma arcada, andando uns passos, vê-se a Igreja Matriz, que causa algum espanto pelas suas dimensões. As diversas ruelas conduzem ao Largo, um espaço aberto, de onde se destaca o edifício da Câmara Municipal.

Já em Mogadouro lá estava (referindo-se à devoção a S. Miguel Arcanjo), num altar das almas, e noutros sítios também, preocupados todos com as probabilidades do purgatório.

Daqui segue-se para norte, até Mogadouro. Mogadouro surpreende pela organização, à entrada, uma zona verde, com o Centro das artes, com uma feição mais moderna. Segue-se até ao Largo Trindade Coelho - sim, ele nasceu aqui-, com o Convento de São Francisco e sobe-se até ao Castelo. Só sobrevive a torre de menagem, que tem por companhia a Igreja Matriz. Vale a pena parar por uns momentos e observar a paisagem à volta: são campos e campos, verdes, dourados, sob um céu azul, por onde se vêem e ouvem as andorinhas. 

No entanto, não é esta a Igreja Matriz mencionada pelo escritor e sim a que fica mais adiante, a do Azinhoso. Essa sim, com personalidade, pois são poucos os vestígios ainda de intervenções de restauro, mantendo o seu aspeto românico, ao estilo transmontano.

A direito para o norte, por estradas de sobe e desce, chega-se a Mirandela.

Mirandela, é apenas um ponto de passagem para Saramago. Vale a pena atravessar a ponte sobre o rio Tua e fazer uma caminhada na margem do rio. Ou perder-se nas variadas lojas com produtos regionais - são os enchidos, os queijos, as amêndoas, os figos, o vinho. Na parte mais alta, destaca-se o antigo Solar dos Távoras, atualmente ocupado pela Câmara Municipal.

Enfim, desta encosta se vê Bragança. A tarde apaga-se rapidamente, o viajante vai cansado. E, nesta situação, padece da ansiedade de todos os viajantes que procuram abrigo. Há de haver um hotel, um sítio para jantar e dormir.

 

 

 

09
Mai20

Achas que...?

Joana C. C. Messias

Geralmente, antes de qualquer ideia que me surja, para ir a qualquer outra parte do mundo - eventualmente porque li um livro, vi um filme, vi um quadro e aquilo criou em mim uma necessidade de ir - vem sempre a pergunta "Achas que vá ... a San Francisco?".

 - "Ó rapariga vai!"

E fui!

“Because in the end, you won’t remember the time you spent working in the office or mowing your lawn. Climb that goddamn mountain.” - Kerouac

Recordo-me, ainda eu trabalhava numa empresa, onde acordava 20 minutos antes de entrar ao trabalho e tinha que picar o ponto (talvez constantemente com um ligeiro atraso, tal o amor que nutria pelas minhas funções!) e algures numa das pausas de 10 minutos que tinha, à conversa, fala-se do "On the road".

O "On the road" foi uma das principais obras escritas por Jack Kerouac, associada à Beat Generation, na década de 50. Não só ele, mas outros autores iniciaram este movimento literário, primeiro em New York, juntando-se mais tarde à outra costa, em San Francisco. As produções desta época, a mim, fascinam-me, pelo corte cultural que se dá: é o pós-guerra, é o aproveitar a vida, é o contrariar os valores culturais estabelecidos do capitalismo e materialismo. É antes o simples prazer de viver, mais adiante,  concretizados em "paz e amor" .

Os meus pais são desta época, talvez por isso, algo tenha ficado no meu ADN e esta necessidade de atravessar o oceano e chegar à costa do Pacífico, me tenha atingido.

“I had nothing to offer anybody except my own confusion.” - Kerouac

Peguei na mala, e segui até Miami, de Miami para San Francisco. 

Cheguei de noite, com roupas de verão - estava em outubro -, subi as escadas do metro e eis que estava na United Nations Plaza, Civic Center. As primeiras impressões são turvas, era de noite, estava frio e tinha fome! Só queria chegar ao sitio onde tinha escolhido ficar. 

Embrenhei-me pelo bairro à direita e rapidamente teci juízos que não foram dos mais encantadores, um bairro com prédios baixos, com escadas de fogo por fora, placares de publicidades antigas e pouca luz e muita, mesmo muita gente a pedir. Estava em Tenderloin. 

Depois de quase ser atropelada por uma bicicleta, cheguei à Pousada da Juventude. Rapidamente fiz o check-in e fui para o meu quarto. Felizmente, estava sozinha e pude descansar. 

Na manhã seguinte, decidi explorar a cidade. Comecei por apanhar um cable car, parte ainda dos serviços de transportes públicos, em direção à Bay Area. A viagem é, por si só, uma aventura. As cabines estão quase sempre cheias, são abertas e agarramo-nos ao que podemos. Enquanto se desloca, subindo e descendo várias colinas (sete inicialmente...), atravessa-se a Russian Hill, Nob Hill. Nestes bairros, várias figuras proeminentes da sociade fixaram residência, na costa oeste, e isto entende-se pela arquitetura, residências mais baixas, que nos permitem avistar a água. Chega-se à Bay Area e a Fishermen's Wharf. Dali vêem-se as pontes (finalmente a Golden Gate, bem lá ao longe!), Alcatraz (não fui, podendo escolher, só visito lugares "bonitos") e os diferentes Piers. 

Com a fome que tinha, tive que parar e provar o caranguejo frito. Continuei, sempre a caminhar, passando por vários restaurantes e zonas de embarque. Toda estas estruturas remontam à chegada dos imigrantes, no século XIX, durante a Gold Rush. O mais conhecido é o Pier 39, que atrai imensa gente. Foi isso mesmo que vi, uma multidão,, atraída pelas luzes, barulho, cheiro a comida, lojas. 

Enfim, rapidamente prossegui pelo "The Bay Trail" e meti-me por um bairro, ficando mais próxima da Torre Coit e da Pirâmide Transamericana (símbolo da cidade), para chegar finalmente ao que tanto me interessava: Beat Generation  Museum. 

Este é um museu totalmente despretensioso, com livros, pautas de música, mobiliário, fotografias, que pretende difundir a principal mensagem desta geração: Tolerância e viver segundo a Verdade de cada um.

Do outro lado da Broadway Street, a Livraria City Lights e imediatamente ao lado o café Vesúvio.

E é este o triângulo dourado que compõe a cena durante a década de 50, sendo todos estes lugares frequentados por Jack Kerouac, Allan Ginsberg, Neal Cassady, Ferlinghetti, William Burroughs.

Missão cumprida!

 

"[...]the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes “Awww!”  - Kerouac

 

 

 

 




 

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